Contingências dos partos

 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 

 

Estrela (Bailarino RCC * Zuca RCC)

Estrela da Pitamarissa (Bailarino RCC * Zuca RCC)

  

 

 

 

 

 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 

 

Estrela (no dia após o seu nascimento)

Estrela da Pitamarissa (um dia após o seu nascimento)

 

 

 

Caros leitores,

 

Aqui vos deixo mais um artigo do Prof. André Cintra (Brasil), desta feita acerca de poldros órfãos.

Espero que apreciem e deixem por aqui os vossos comentários, ou em alternativa, visitem o Prof. Cintra no endereço exposto no fim do artigo.

Os meus cumprimentos,

Rodrigo Coelho de Almeida

 

POTROS ÓRFÃOS

Um dos grandes mitos da criação de cavalos é referente à criação de potros órfãos. Muitos ainda acreditam que potro que fica órfão, não vai para frente. Esse mito é decorrente do desconhecimento do que é uma boa alimentação para o potro e de como ele deve ser manejado adequadamente desde o final da gestação.

O nascimento do potro é um evento que pode ser natural ou traumático, dependendo das condições da mãe e do meio ambiente.

Uma égua magra demais provavelmente produzirá um potro frágil. Uma égua com excesso de peso terá dificuldade no parto, devido a um estreitamento do canal pélvico pela gordura, o que deverá causar uma dificuldade no parto, provocando anóxia no recém nascido, que obviamente prejudica o novo ser que tenta vir ao mundo. Além disso, uma égua com excesso de peso, assim como a magra demais, tem uma produção leiteira prejudicada, sendo a primeira por acúmulo de gordura em sua glândula mamária, e a segunda por deficiência nutricional para produzir leite.

Na primeira fase do potro, que vai do nascimento até as 18 horas no pós-parto, alguns cuidados iniciais são fundamentais para a sobrevivência do potro.

O potro deve ser limpo pela égua e tentar levantar sozinho, o que ele faz nos primeiros minutos após o nascimento.

Como a maioria dos partos se dá durante a noite, ao amanhecer o potro já deverá estar de pé e mamando o primeiro leite, chamado colostro e de fundamental importância para sua sobrevivência. O colostro é um leite riquíssimo em anticorpos e o aparelho digestivo do potro, até 18 horas após o nascimento, é permeável à absorção destes anticorpos. Após a 18ª hora do nascimento, diminui consideravelmente esta permeabilidade do aparelho digestivo do potro além do leite materno também perder suas qualidades imunológicas.

Para os potros que perdem sua mãe ainda na fase de amamentação, devemos ter alguns cuidados especiais.

Nos casos de óbito da mãe no momento do parto, o potro órfão não terá colostro materno disponível. Deve-se então providenciar, para administração imediata, um colostro de outra égua, que pode ser congelado e reaquecido no momento do fornecimento. Caso não se tenha disponível na propriedade este colostro, deve-se procurar em algum outro haras que possua um banco de colostro para a proteção imediata do potro sob risco de vida para o mesmo.

A alimentação do potro inicia-se já na barriga da mãe, desde o terço final da gestação, continuando através da égua até o desmame.

A partir do desmame devemos ter uma alimentação diferenciada exclusiva para ele, pois a velocidade de crescimento do potro, inicialmente, é muito elevada. Nas raças leves o peso ao nascimento representa 9 a10% do peso da égua e é dobrado em pouco mais de um mês.

Durante o primeiro mês, o ganho de peso médio ótimo é ao redor 1500 g/dia, podendo atingir 1800 g/dia nos indivíduos muito grandes. O ganho de peso está entre 1200 e 1300 g/dia no 2o. mês e ao redor de 750 g/dia aos 6 meses, havendo variações conforme a raça.

Ao nascer, o potro já apresenta uma altura considerável, onde o potro possui cerca de 60-70% da altura de cernelha de um animal adulto, alcançando 95% de sua altura máxima aos 24 meses e crescimento final máximo aos 60 meses, com pequenas diferenças entre os sexos, sendo a fêmea mais tardia, havendo pequenas variações conforme a raça.

A criação de um potro visa produzir um animal muito bem desenvolvido, sobretudo em termos de estrutura óssea e muscular, sem acúmulo de gorduras de reserva. Procuramos um crescimento ótimo e não máximo como em um animal de abate.

Toda carência ou desequilíbrio da dieta acarreta um atraso ou mesmo uma situação irreversível no desenvolvimento do animal.

Do terço final da gestação até o 3º mês de vida do potro, este se alimenta exclusivamente através de sua mãe. Na gestação obviamente pelos nutrientes recebidos via sanguínea e, no inicio da lactação, através do leite. Até o 3º mês de vida do potro, seu aparelho digestivo não está apto a receber e processar alimentos grosseiros, assim como sua dentição. Desta forma, todo e qualquer alimento que não seja leite ofertado ao potro, vai servir mais como adaptação que propriamente como fonte de nutrientes para o animal. Após o 3º mês de vida já se inicia o aproveitamento de nutrientes de alimentação mais grosseira e fibrosa, estando desta forma, o potro apto a aproveitar os nutrientes oriundos de uma ração concentrada e do volumoso disponível.

Desta forma, no caso de potros órfãos antes do 3º mês de vida se torna imprescindível uma alimentação láctea para propiciar um bom crescimento e bom desenvolvimento do potro.

Há a possibilidade de se utilizar amas de leite (figura 1), que podem ser éguas recém paridas que podem adotar este potro órfão. Elas geralmente aceitam bem o potro. Devemos fazer com que este cheire como a égua, ao menos no início da “apresentação”. Podemos recobrir o potro com fezes, urina, leite, suor ou mesmo fluídos placentários da égua adotiva. A maioria aceita o potro em 24 horas.

Caso não seja possível a utilização de uma ama de leite, podem-se utilizar sucedâneos do leite de égua utilizando-se leite de vaca ou cabra, diluindo-se duas partes de leite para uma parte de água e adicionando-se dextrose (cerca de 2%). O leite de vaca tem um valor mais elevado de gordura e menor teor de proteína, daí a necessidade de se fazer esta mistura. Este leite pode ser oferecido em mamadeira ou em balde (Figura 2), sendo que a maioria dos potros pega bem o balde, facilitando muito o manejo.

Deve-se oferecer uma quantidade próxima daquela que a mãe estaria ofertando, 18 a 20 litros para potros de raças leves e 23 a 28 para potros de raças pesadas, iniciando-se com 14 litros ao nascimento e adicionando-se 01 litro por semana até a quantidade necessária, de 20% do peso do potro em leite.

Nas duas primeiras semanas oferecer a cada 4 horas, dia e noite, e após este período, pode-se dividir o total pelo período diurno (entre 6 da manhã e 8 da noite), até os 4 ou 5 meses, quando o animal será desmamado.

 

Lembre-se de, a partir do 3º mês de idade, sempre deixar volumoso e concentrado disponível ao animal para que ele possa se adaptar gradualmente a alimentos sólidos.

 

O não fornecimento de alimentação adequada ao potro órfão em qualquer momento nos 12 primeiros meses de vida compromete, em geral em definitivo, seu crescimento e desenvolvimento. (Figuras 3 e 4)

 

A partir do 4º mês de idade, dependendo do estado geral do animal e de sua adaptação à alimentação sólida, como volumoso e ração, pode-se iniciar o desmame do potro, reduzindo-se o leite 25% a cada semana, de forma que em 4 semanas o potro esteja totalmente desmamado. Muitas vezes, após as duas primeiras semanas do inicio do desmame, os potros já passam a preferir a alimentação sólida rejeitando o leite, quando se pode então cessar por completo o fornecimento deste leite.

 

Um procedimento muito importante para o futuro do potro é sua convivência com outros eqüinos desde os primeiros momentos. É fundamental para a boa integridade física e mental do potro que ele possa ter como referencia outros da mesma espécie. São estes que vão ensinar ao jovem órfão o que comer, como se defender e o que é ser um cavalo.

 

André Galvão Cintra,

MV, Prof. Esp.

Presidente Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Bretão

andre@vongold.com.br

www.vongold.com.br

 

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