29
Dez
09

Comentário do Dr. Aluisio Martins – Universidade do Cavalo – Brasil

Dentro do âmbito da participação que tenho empreendido num fórum dedicado ao cavalo Lusitano, que existe no yahoo, li um comentário que face à sua pertinência, resolvi solicitar permissão ao seu autor para o publicar. Como se vão aperceber o autor é conceituado, de nacionalidade brasileira, e pertence à Universidade do Cavalo. Deixo-vos com o Dr. Aluisio Martins…

Amigos

    Nunca fui de falar muito, mas permitam-me entrar no tema, já que de certa maneira estou envolvido com o Lusitano há alguns anos (menos que muitos de vocês mas, principalmente na ET);

    Não sou criador, sou proprietário de alguns Lusitanos desde Julho último, e fiquei mais conhecido no meio por competir em 2006 no Campeonato Bras. de ET com um cavalo Crioulo e com um Lusitano;

    Nesta oportunidade, venci o campeonato com o Crioulo e fiquei em terceiro com o Vagalume IGS, cavalo que iniciou sua carreira em minhas mãos e que compete até hoje. Um craque.

    Muitos não gostaram da minha participação com outra raça, mas de verdade penso que este foi um exemplo de crescimento da raça Lusitana, como fizeram outras raças ao longo dos anos em outras modalidades em todo o mundo. Aliás, como é a ET na Europa…

 

    Assistindo de fora, e constatando em alguns eventos que participo, como no último leilão, atento-me para o excedente de cavalos que não são considerados pelos criadores ou proprietários como “top” para o Dressage;

    Penso que temos aqui algumas realidades:

  • a do criador que tentou viabilizar sua criação e ganhar dinheiro com isso (o que sabemos que é possível mas difícil)
  • a do criador novo, sem qualquer experiência com cavalos, que viu criadores antigos ou grandes entrarem nos projetos de Adestramento e foram atrás, como quem ouve o galo cantar sem saber onde…
  • a do posicionamento geral quanto aos rumos da raça;

   

    Sobre as opções de volume de cavalos de cada criador, e a busca louca pelo cavalo de Adestramento, cada um faz o que quer, mas de verdade o que particularmente estou vendo com as devidas excessões, não são mais cavalos Puro Sangue Lusitanos, mas sim cavalos que mais parecem Brasileiros de Hipismo de péssima qualidade. Grandes, desengonçados, ruins de aprumos, completamente fora de padrão de algo, e principalmente mal domados, tensos e sem controle. Novamente quero aqui deixar claro que existem excelentes excessões, e que obviamente são notadas por quem vive do assunto.

 

    Sobre os rumos da raça, penso que:

  • Levar o Lusitano para o WEG, Olimpíadas é algo absolutamente aceitável e extremamente louvável.
  • O que vai acontecer, se vamos ganhar ou não, é outro assunto, que ninguém pode resolver agora. É fato que os criadores que querem isto estão sim trabalhando muito seriamente para isto e provavelmente terão sucesso. (na minha opinião são muito poucos estes criadores… ).
  • Vejo muitas pessoas culpando e criticando 4 ou 5 criadores grandes. No meu modo de ver, o problema disso tudo não são estes criadores, mas sim todo um enorme grupo que resolveu ir atrás destes grandes, e, sem conhecimento, sem estrutura, sem volume de disposição de investimentos, sem auxílio de técnicos capacitados, não chegam, não vão chegar, e também não vão vender estes cavalos, como já estamos vendo.
  • Amigos, ir para um WEG ou Olimpíadas não pode ser somente o fardo que os cavalos carregam. Exige investimento alto, muito alto.
  • Além disso, (já grana por si só não resolve…) lembremos de outras modalidades - quantos “Jardeis Gregórios”, “Fabianas Müllers”, quantos “Ronaldos” temos, em vista do volume de pessoas que tentam chegar? Com os cavalos a mesma coisa acontece! Quantos cavalos nascem “craques” e realmente viram craques? Quantos fatores influenciam para que um cavalo chegue ao nível máximo?
  • O que quero dizer com isto é que mesmo reduzindo a criação, mesmo cortando cavalos, mesmo criando menos, e mesmo com altos investimentos, ainda vamos sempre ter a minoria chegando aos níveis máximos de competição.
  • Esta peneira é natural em absolutamente todas as raças, todas as modalidades, todos os esportes e ao mesmo tempo é o que alimenta a criação de cavalos em todo o mundo – a esperança, a aposta, o jogo de criar o craque.
  • Mas então, o que fazer com o excedente? O que fazer com os cavalos que não “chegaram”?
  • Para mim, procurar outra modalidade, e aí concordo com o que se vem dizendo há muito tempo aqui no fórum - a Equitação de Trabalho não pode ser a prima pobre do Lusitano.
  • De verdade, penso que deve sim ser a modalidade de base para todos os cavalos.
  • Deve ser o carro chefe em termos de competições, simplesmente porque pode ser o chamariz para que se tenham mais adeptos à raça.
  • Admite maior número de participantes pelos fatores que conhecemos, admite mais variedade de cavalos, admite até mesmo menos treinamento por parte dos proprietários, e ainda permite que não se precise montar com o refinamento técnico que uma prova de adestramento exige – assim teríamos proprietários usando cavalos e não somente os chamados Ginetes ( que de Ginetes mesmo têm pouca coisa…., salvo as normais excessões à toda regra…)
  • Para mim está muito claro que a saída para os criadores está sim na ET. É uma modalidade solta, leve, prazerosa a da família. Pode ser uma excelente forma de comercialização o de cavalos que não deram para o Dressage.
  • Para isto, muitos pontos ainda devam ser pensados como valores, locais, formas de realizar a prova, etc, mas talvez o primeiro, seria este: quem vai querer fazer ET em um Lusitano de 1,80 de altura???

 

Abraço

Aluisio Marins

Universidade do Cavalo

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