e-mail remetido ao fórum brasileiro cavalolusitano@yahoogrupos.com.br

Caro Nuno Coelho Vicente,

Há algo de entre os seus escritos que fica sempre pouco esclarecido e que no último vc acabou por levantar a ponta do véu. Falo obviamente do grito da “independência ou morte” que tanto defende. No meu entendimento o grito que proclama cabe com Direito na boca de alguém que se vê subjugado em tirania, em clara violação dos seus direitos, e numa ausência total de perspectiva de ultrapassagem dessa barreira. Sou o primeiro a defender que existe uma lacuna enorme na comunicação entre o poder e os criadores, reconheço igualmente que o acesso à informação foi sempre restritivo a uma elite. Mas Nuno, estes problemas também são da generalidade dos criadores aqui de Portugal, se seguirmos o seu raciocínio também nós gritaremos “independência ou morte”, aqui no próprio berço da raça – não faz sentido!?

No último programa do Tribuna Lusitana puderam constatar o nível de insatisfação do Francisco Cancela de Abreu, que há mais de 20 anos defende uma mudança de posturas e de métodos de selecção, sem qualquer resultado, a não ser apelidarem-no de inconstante e subversivo entre outros adjectivos de tom depreciativo. Na minha opinião a raça deve manter-se unida pela capacidade interventiva e inteligência dos criadores que a constituem, independentemente da sua nacionalidade.

Sou igualmente da opinião que todos devem fazer valer os seus direitos, inclusive as associações congéneres, que quando não concordam com as orientações devem expor os seus motivos de forma aberta e transparente. Quanto à liderança da raça, a mesma só pode ser exercida com competência e bom senso – única forma de provocar aceitação.

Entendo perfeitamente que os destinos da raça não podem ser decididos sem a participação de todos, e que há que reestruturar o modelo de condução. Se é uma opção federalista ou outra, a sua resolução tem de ser tomada em sede própria, isto é, nos centros de decisão. Tem de passar-se a cultivar o hábito de que todos os assuntos podem ser discutidos de forma civilizada, sem as habituais apaixonadas personificações de temas, e consequentes gritos de exaltação que apenas servem de acções para provocar reacções.

Há por aqui quem fale em atritos históricos entre Portugal e o Brasil! Custa-me a aceitar que no presente mundo global, em que o mundo passou a aldeia, persistam sentimentos que remontem à era do colonialismo. Não faz sentido!!! Temos tantas preocupações presentes: com o endividamento público; o PIB; a empregabilidade da população; as questões do terrorismo e da segurança; o desequilíbrio mundial que a produção da China provocou nas economias; Etc.. Não faz sentido ir ao passado buscar uma sarna sem sentido actual, como contributo adicional para entropias ao desejado entendimento.

Confesso que fiquei perplexo quando entrei neste fórum, e li os comentários acerca da generalizada miopia portuguesa. O acto de subestimar é em si uma limitação!

Acerca da propagandeada supremacia brasileira, acerrimamente defendida no programa Tribuna Lusitana, escrevi o que penso dela num artigo acabado de publicar no portal da equisport.

Um abraço,

Rodrigo Almeida

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s