intervenção num debate mantido num fórum espanhol, à volta de um artigo que publiquei

Post colocado no fórum do grupoPRE: http://www.grupopre.com/v2/v3_foro/index.php?post=18179

Post que publiquei a 29/05/2010:

Caros amigos,

Antes do mais é interessante constatar que agarraram um tema apaixonante, e que servirá seguramente para ponto de partida para a retirada de conclusões essenciais para o desenvolvimento de qualquer raça. Entendo, como em tudo na vida, que 90% da nossa postura deve ter uma componente pragmática. E nestas questões à volta do cavalo Ibérico, é importante que os assuntos tendam a ser encarados de forma cada vez mais objectiva. Porque somos latinos, temos o hábito de viver estes assuntos com muita paixão, esquecendo o essencial em qualquer projecto moderno que são os resultados.

Neste momento em Portugal estamos a assistir a uma tentativa de ruptura com um sistema de avaliação de reprodutores, que é muito subjectivo, nada didáctico, e muito permissivo de arbitrariedades ou suspeita de as haver. Efectivamente tem de ser encontrada uma forma de avaliar os animais numa idade jovem, pois é essencial haver um mecanismo que possa tentar antecipar o potencial genético de um animal antes de ele culminar a sua carreira desportiva. Isto com o objectivo do almejado aceleramento do progresso genético da raça. Sei que não é um método 100% assertivo, mas permite alguma dose de previsibilidade, e fornece matéria para a constituição de bases de dados. Essenciais para correlações estatísticas. Qual a melhor forma de o fazer? Seguramente a introdução de provas morfo-funcionais, onde seja avaliada a capacidade atlética e mental dos indivíduos perante o esforço. Isto só pode ser alcançado num período mínimo de 30 dias de testes.

No campo do toureio, lamento considerar quase impossível criar artificialmente uma situação que reproduza o sopro de um toiro em fúria pela frente e por trás de um cavalo. É na praça que sobressaem as características toureiras do cavalo.

Portanto caros amigos, considero que haja uma natural preocupação pelo passado, mas seguramente que é o presente que ditará o futuro de uma raça. E neste campo, nós todos somos responsáveis, pois estamos a viver esta época. O cavalo Ibérico é o cavalo que se assemelha ao povo da Ibéria. Entrarmos em discussões de purismo, é enveredar por um caminho semelhante à discussão do sexo dos anjos. Muita parra e pouca uva.

Deixo o texto em português e peço desculpa pela tradução do Google, que seguramente não é muito fiável.

 Cumprimentos,

Rodrigo Coelho de Almeida

 

Artigo que motivou o debate:

CONTRIBUTO PARA A CULTURA AO MÉRITO

Por Rodrigo Coelho de Almeida

O progresso da raça é o nosso progresso enquanto seus intervenientes. A riqueza de um país mede-se pelo PIB, a da raça pelo seu progresso genético.

Recentemente a raça tem sido abalroada por reiteradas e ostensivas revelações acerca das suas origens. A última envolveu o Firme, considerado como o ascendente de referência para a raça. Há que meditar um pouco acerca do impacto de tais actos para o futuro da raça, dentro das várias vertentes da sua vivência.

Para o criador e respectiva Associação de criadores, gera, numa atitude mais imediata, a apreensão pelo descrédito a que vê sujeito o pregão da pureza da raça milenar, tantas vezes proferido como imagem de marketing da raça, que gerou um mito. No presente e perante revelações de tal natureza, temos de reconhecer que transformamos a raça em prisioneira da imagem criada. Ou seja, surge a questão, “como vamos descalçar esta bota?”.

A resposta só pode ser uma! Com lucidez para se reconhecer que enveredamos por uma imagem ou conceito de pureza que contraria a essência do povo da ibéria. Será que alguém de bom senso, consegue afirmar com convicção que, geneticamente o povo da ibéria se distingue na aparência das suas gentes. Será que a aparência do Basco é distinta do Catalão e esta é distinta da do Português? São formas de separatismo que a uma escala macro, se desvanecem por completo na imagem da terra – vista do espaço.

A herança genética do Lusitano não é mais do que a imagem do nosso povo, com tudo o que de bom e de mau, que nos caracteriza. No presente existe certificação do controlo de paternidade, contudo a realidade do passado só pode ser encarada com base na história do nosso povo (sem preconceitos).

Como referiu Silvestre Bernardo de Lima (acerca da produção do passado) ”uma produção qualquer não se impõe, forma-se pela necessidade, sustenta-se pelo consumo e aperfeiçoa-se pela inteligência e bom gosto”. Ainda hoje, num contexto distinto, esta máxima é perfeitamente sustentável.

Tentar incutir um espírito de pureza ariano à obra de um povo que, ao longo da sua história, nunca adoptou qualquer preconceito com a mistura, só pode revelar “ingenuidade” de quem adoptou essa imagem e hipocrisia de todos os seus seguidores. Até o povo alemão sucumbiu ao desastre de conceito de pureza, preconizada pela propaganda nacional-socialista dos anos trinta.

O que tem de ser exigido é uma mudança de postura, abandonando-se mitos e procurando méritos. O mesmo mérito que celebrizou os cavalos da Ibéria na antiguidade, agora numa vertente actual e moderna (desportiva). O mérito só pode ser alcançado por via da performance.

Há que testar no terreno os nossos cavalos novos, antecipando com este trabalho os futuros campeões. Com esta postura abandona-se o laxismo que apenas permitia a descoberta de um reprodutor de excepção após a sua morte ou à beira desta.

Testar como? Recorrendo às verdadeiras provas morfo-funcionais, não no formato organizacional do tempo do Dr. José Monteiro (ideal mas incomportável em termos económicos), mas sim num formato de fuga a tudo o que “cheire” a custos fixos. Deverá ser elaborado um programa de treino com base no grau de exigência das provas, que permita aos interessados efectuarem os treinos em casa ou em caso de necessidade, permita o seu acesso a um campo de treino Oficial. É impensável nos dias que correm o recurso a uma organização no seu formato mais clássico, que além de onerosa geralmente se revela pouco eficiente e eficaz.

O formato da organização têm de ser “SAE” (simplicidade, aplicabilidade e eficácia), tendo sempre por objectivo proporcionar um custo/benefício aliciante a quem pretenda aderir a esta forma de culto ao mérito.

A APSL deverá organizar e liderar (com base num esquema predefinido), a FAR pode contribuir com as instalações e equipa médico-veterinária, e os interessados, com os animais intervenientes (cavaleiro, tratador, alimento e transporte) e o pagamento de uma quantia justa, face ao benefício esperado.

O programa de treino deverá atenuar o problema do tempo, geralmente exigido para a adaptabilidade dos intervenientes aos locais e demais condicionantes.

Com base no histórico abaixo transcrito (evolução das provas morfo-funcionais em Portugal) será fácil encontrar um modelo que se ajuste à realidade actual, e que promova a descoberta das linhas com mais capacidade de resistência ao esforço.

Nos saltos vence o que salta mais alto, nestas provas, vencem os que tiverem melhor capacidade física e psíquica. Isto é um dos caminhos para a objectividade!

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