Seria interessante receber comentários a esta publicação antiga… mas com pertinência actual

CONTRIBUTO PARA A CULTURA AO MÉRITO

Por Rodrigo Coelho de Almeida

O progresso da raça é o nosso progresso enquanto seus intervenientes. A riqueza de um país mede-se pelo PIB, a da raça pelo seu progresso genético.

Recentemente a raça tem sido abalroada por reiteradas e ostensivas revelações acerca das suas origens. A última envolveu o Firme, considerado como o ascendente de referência para a raça. Há que meditar um pouco acerca do impacto de tais actos para o futuro da raça, dentro das várias vertentes da sua vivência.

Para o criador e respectiva Associação de criadores, gera, numa atitude mais imediata, a apreensão pelo descrédito a que vê sujeito o pregão da pureza da raça milenar, tantas vezes proferido como imagem de marketing da raça, que gerou um mito. No presente e perante revelações de tal natureza, temos de reconhecer que transformamos a raça em prisioneira da imagem criada. Ou seja, surge a questão, “como vamos descalçar esta bota?”.

A resposta só pode ser uma! Com lucidez para se reconhecer que enveredamos por uma imagem ou conceito de pureza que contraria a essência do povo da ibéria. Será que alguém de bom senso, consegue afirmar com convicção que, geneticamente o povo da ibéria se distingue na aparência das suas gentes. Será que a aparência do Basco é distinta do Catalão e esta é distinta da do Português? São formas de separatismo que a uma escala macro, se desvanecem por completo na imagem da terra – vista do espaço.

A herança genética do Lusitano não é mais do que a imagem do nosso povo, com tudo o que de bom e de mau, que nos caracteriza. No presente existe certificação do controlo de paternidade, contudo a realidade do passado só pode ser encarada com base na história do nosso povo (sem preconceitos).

Como referiu Silvestre Bernardo de Lima (acerca da produção do passado) ”uma produção qualquer não se impõe, forma-se pela necessidade, sustenta-se pelo consumo e aperfeiçoa-se pela inteligência e bom gosto”. Ainda hoje, num contexto distinto, esta máxima é perfeitamente sustentável.

Tentar incutir um espírito de pureza ariano à obra de um povo que, ao longo da sua história, nunca adoptou qualquer preconceito com a mistura, só pode revelar “ingenuidade” de quem adoptou essa imagem e hipocrisia de todos os seus seguidores. Até o povo alemão sucumbiu ao desastre de conceito de pureza, preconizada pela propaganda nacional-socialista dos anos trinta.

O que tem de ser exigido é uma mudança de postura, abandonando-se mitos e procurando méritos. O mesmo mérito que celebrizou os cavalos da Ibéria na antiguidade, agora numa vertente actual e moderna (desportiva). O mérito só pode ser alcançado por via da performance.

Há que testar no terreno os nossos cavalos novos, antecipando com este trabalho os futuros campeões. Com esta postura abandona-se o laxismo que apenas permitia a descoberta de um reprodutor de excepção após a sua morte ou à beira desta.

Testar como? Recorrendo às verdadeiras provas morfo-funcionais, não no formato organizacional do tempo do Dr. José Monteiro (ideal mas incomportável em termos económicos), mas sim num formato de fuga a tudo o que “cheire” a custos fixos. Deverá ser elaborado um programa de treino com base no grau de exigência das provas, que permita aos interessados efectuarem os treinos em casa ou em caso de necessidade, permita o seu acesso a um campo de treino Oficial. É impensável nos dias que correm o recurso a uma organização no seu formato mais clássico, que além de onerosa geralmente se revela pouco eficiente e eficaz.

O formato da organização têm de ser “SAE” (simplicidade, aplicabilidade e eficácia), tendo sempre por objectivo proporcionar um custo/benefício aliciante a quem pretenda aderir a esta forma de culto ao mérito.

A APSL deverá organizar e liderar (com base num esquema predefinido), a FAR pode contribuir com as instalações e equipa médico-veterinária, e os interessados, com os animais intervenientes (cavaleiro, tratador, alimento e transporte) e o pagamento de uma quantia justa, face ao benefício esperado.

O programa de treino deverá atenuar o problema do tempo, geralmente exigido para a adaptabilidade dos intervenientes aos locais e demais condicionantes.

Com base no histórico abaixo transcrito (evolução das provas morfo-funcionais em Portugal) será fácil encontrar um modelo que se ajuste à realidade actual, e que promova a descoberta das linhas com mais capacidade de resistência ao esforço.

Nos saltos vence o que salta mais alto, nestas provas, vencem os que tiverem melhor capacidade física e psíquica. Isto é um dos caminhos para a objectividade!

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