Um certo Garanhão chamado “Tarado”

Por Eduardo Rebouças (27/07/2001)

 

UM CERTO GARANHÃO CHAMADO TARADO

Isso mesmo! O nome dele é muito conveniente, pois fez por merecer o nome de batismo. Uma prole grande, não só na quantidade, mas também na qualidade. Quando penso em funcionalidade na raça Lusitana, o primeiro nome que me vem à cabeça é o dele. Muito se fala, mas os números comprovam sua qualidade.

Vindo para o Brasil pelas mãos do Dr. Enio Monte (Haras Itapuã), Tarado (Nihuco x na Imperadora) começou a trilhar uma carreira maravilhosa. Foi um dos introdutores da raça no circuito de adestramento, do salto, da alta escola e da doma de campo. Temperamento magnífico, sem máculas, nada que possa desaboná-lo. Um “gentleman” eqüino que se posiciona como quem conhece suas próprias virtudes. Um forte por se saber forte!

Passou seus andamentos aos descendentes, colocando aos Lusitanos o que os Lusitanos gostariam de ter. Cavalo impar, que aos dezoito anos de idade, ainda belo, foi objeto de um fato muito curioso. Carolina Viviani, ao atingir a maioridade, teve ofertado por seu Pai, José Roberto, como presente de aniversário, um automóvel Audi, parte integrante dos sonhos de qualquer jovem. Entretanto, pediu ao Pai o Tarado, ao invés do carro. Troca pura e simples. Assim, o cavalo mudou de mãos, foi para o Haras Purificacion. E, já coroa, fez um triunvirato com seu filho e seu neto na Escola Paulista de Arte Eqüestre Espanhola. É ainda é montaria da Carolina. Belo gesto, belo gosto, bela troca! 

Falei em funcionalidade e não conclui o pensamento. Ora, ele gerou o Nobre (campeão de salto, cce, enduro, adestramento), o Olimpo (salto), o Marino (adestramento/alta escola), o Pagé (salto/adestramento), o Negrusko (adestramento/alta escola/, o Navegante -o mais lindo “caprioli” deste país – o Ouro (adestramento/alta escola). Por fastidioso, deixo de mencionar outros inúmeros cavalos funcionais de sua prole. 

Não fica por aí. Suas filhas, de porte quase sempre avantajado, trazem do Pai o garbo, o andamento, um pescoço limpo, bem lançado, com uma espádua muito equilibrada. Seus netos, já despontam no cenário esportivo com muita personalidade, com sua marca de vencedor. Criadores experientes apostam no sucesso destes, embora haja por parte de alguns criadores, um certo desprezo por seus descendentes, sob a alegação de que o Tarado é um “espanhol”. 

Porém, tanto quanto outros “espanhóis”, foi aceito na raça como reprodutor e, como tal, deu conta do recado. Seria ele o Príncipe VIII Brasileiro? Para quem não acompanha a raça, o “espanhol” Príncipe VIII foi o ponto de partida dos cruzamentos que deram origem à facção denominada “Andrade”. Facção com muita estrutura e funcionalidade, tal e qual a gerada pelo “espanhol” Tarado. Portanto, fica difícil falar em funcionalidade na raça de Puro Sangue Lusitano sem que se fale dele, quer queiram ou não! E, ainda se ouve falar que tem dorso longo…Opa!!! Viiiiiiige!!! To fora!!!

O que você acha de um animal com esses predicados?

 

EduardoRebouças
 27/07/2001

cabanhaarrulha@terra.com.br

Publicado na Revista EQUEST

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