APSL – Propostas de reestruturação

 

 

 

O mal de quase todos nós, é que preferimos ser arruinados pelo elogio, a ser salvos pela crítica.

(Norman Vincent)

 

 

Caros apaixonados pela raça,

 

Ponderei bastante acerca da inclusão destas cartas neste blog. O motivo foi o receio de conotação deste blog com quaisquer objectivos de natureza política, no sentido da habitual politiquice.

 

É um hábito enraizado e legítimo, uma vez que estamos constantemente a ser alvo de actuações deste tipo, a procura de objectivos políticos em acções deste tipo. Como poderão constatar pela leitura das cartas, a sua elaboração não foi imediata e exigiu disponibilidade de tempo, conhecimentos e alguma criatividade.

 

Normalmente a conjugação destes factores exigem uma contrapartida, estas propostas não fogem a essa regra, a contrapartida que exijo é a vossa atenção e capacidade crítica. Não a crítica destrutiva e fácil mas sim o vosso contributo de utilizadores, criadores, etc., uma vez que o que está em causa é a edificação de um projecto cujo retorno é comum a todos.

 

As cartas contêm tabelas e quadros que serão disponibilizados mediante solicitação, para o e-mail almeida.rod@gmail.com .

 

Os meus cumprimentos,

Rodrigo Almeida

 

 

 

 
PRIMEIRA CARTA ENVIADA À DIRECÇÃO DA APSL (28/05/2008):

 

1.       A especificidade

 

Com base no conceito da especificidade da Raça têm sido defendidas teorias que contrariam o conhecimento instituído. A título de exemplo: é universalmente aceite que o conceito de morfologia é transversal a todas as raças de cavalos de sela. O que varia de raça para raça é o tipo. Contudo alguns dos juízes da nossa Raça defendem em nome da especificidade que: “apenas nós estamos aptos para avaliar o nosso cavalo”; “apenas nós entendemos o nosso cavalo”. Parece-me que se continua a viver em Portugal um atraso cultural gritante e limitativo, no fundo, as históricas consequências do nosso isolamento.

Não se pode utilizar o argumento que encerra a especificidade da Raça, da mesma forma que a Igreja utilizou a doutrina para justificar os seus actos na idade média. A comparação pode parecer grosseira mas ilustra a realidade que vivemos.

Em nome desta especificidade e da sua defesa, o Sr. José Manuel de Mello foi acusado, por muitos, numa altura em que encetou esforços de mudança no seio da APSL, de tentativa de germanização da Raça. Neste momento e passados muitos anos continuamos a assistir à mesma resistência, com argumentos de igual natureza. Vivemos na idade média da criação de cavalos (em termos da aplicação de metodologia de selecção). Este facto foi abordado em artigos de opinião, publicados pelo Sr. Francisco Cancella de Abreu (in, Cavalo Magazine, “Pensando a criação de cavalos em Portugal” – 1986; repetida a mensagem num dos editoriais de uma das últimas edições da revista Equitação). Muito tem que mudar!

 

2.       A pureza da Raça

 

No que respeita à pureza da Raça, predomina um moralismo exacerbado, defendido por muitos dos mesmos que procuram os elementos mais atípicos da Raça, na procura de animais com vocação desportiva. A isto dá-se um nome – hipocrisia. Foi esta mesma atitude aliada a outras menos sérias que motivou, alguns, numa altura de euforia na venda de cavalos para o Brasil, a revelarem, em jeito de segredo “amigo”, muitas das verdadeiras origens dos nossos “Lusitanos Puros”.

A realidade do presente abarca algumas introduções. Entre estas, a das invasões napoleónicas no efectivo Alter Real, são as únicas que estão documentadas. Claro está que esta realidade, apesar fazer parte do processo de constituição de uma Raça, não pode constituir parte do pressuposto (hoje existente) de Raça Fechada. A implementação dos testes de paternidade (DNA) é o contributo da ciência para a CERTIFICAÇÃO de uma Raça que se pretende fechada. Hoje em dia qualquer animal que se afaste desta realidade é facilmente detectável por incompatibilidade com os pais declarados.

Há que lançar uma pergunta aos mais puristas: qual foi o efeito negativo destas introduções?

A título de exemplo, o cavalo Guiso é de origem Alter Real, apesar disso, é um bom exemplo de contributo para o engrandecimento da Raça. O garanhão Xaquiro, procurado por muitos, mesmo por alguns dos puristas, não aparenta um fenótipo muito típico da Raça. O mesmo acontece com alguns dos seus descendentes, entre eles, a sua filha Oxalis (uma alusão à falta de tipicidade desta égua, conotada como eventual herdeira de uma introdução, consta de uma entrevista ao Sr. Eng.º João Ralão publicada na revista australiana Horse Magazine; há estrangeiros esclarecidos, apesar de alguns portugueses “espertos”, teimarem na utilização de uma “cassete” gasta e com cheiro a mofo, utilizada em jeito de segredo ao “amigo” comprador).

A verdade é muito simples, encontra-se confinada na Raça, tem que ser assumida. Resume-se a uma herança que é património vivo e único no mundo, fruto da nossa história, com tudo o que ela encerra – verdades, meias verdades, etc. Não faz sentido que uma Raça adulta, se refugie em doutrinas moralistas e conceitos de especificidade, intrinsecamente coniventes com a subjectividade. A mesma que fomenta apreciações que ninguém entende. O que não é entendível gera suspeição. Esta é uma realidade incontornável! Muito perniciosa para todos.

 

3.       Plano de melhoramento

 

Ninguém quer abrir a Raça, contudo o progresso genético obriga a alterações de fundo no plano de melhoramento da Raça. Felizmente estão previstas mudanças. Espero, para o bem da Raça, que haja coragem para a sua implementação. Não é fácil conduzir uma realidade culturalmente pobre – esta é uma tarefa dura e desgastante inerente à Direcção da APSL.

 

Um dos efeitos benéficos da globalização (Internet) é a facilidade com que se percorre o mundo da criação de cavalos de sela à escala global. É fácil comparar os planos de melhoramento das raças mais evoluídas e performantes do mundo. Da sua comparação ressalta uma conclusão evidente – nem tudo é aplicável à nossa Raça. Contudo há pontes comuns a todos: sistematização; existência de objectivos; objectividade na formulação de critérios; transparência. É evidente que a metodologia de melhoramento da Raça PSL se encontra longe da lucidez desta realidade. O panorama actual é um espelho da situação.

 

Uma das considerações mais importante em qualquer plano de melhoramento de raça é a definição de objectivos. Estes enquadram-se perfeitamente no que é expectável, em termos de cultura empresarial (clarividência/positivismo).

 

Dentro da definição de objectivos, a consideração individual mais importante em termos de selecção, é a aptidão a que se destina o animal. Assim, pretende-se que seja definida a finalidade de uma forma precisa e sem tentações generalistas. É considerada uma distorção, em termos de determinação de objectivos de selecção, a procura de um cavalo versátil, ou seja, a selecção para muitos caracteres.

A selecção para muitos caracteres: encarece a avaliação; reduz o progresso genético.

 

Nos objectivos de selecção devem ser tidos em conta os seguintes factores:

a)      O incremento da rentabilidade económica no sector;

b)     O interesse da competição como factor de sucesso da Raça;

c)      Que os animais resultantes do processo de selecção devem trazer benefícios e boas perspectivas de venda aos criadores;

d)     A importância da existência de uma grande variabilidade genética (para que os caracteres escolhidos para melhoramento tenham alta heritabilidade);

e)     Os caracteres considerados de interesse económico devem ser facilmente mensuráveis (fundamental para o BLUP – Best Linear Unbiased Predictor – avaliação do valor genético de um animal para uma determinada disciplina, segundo o seu desempenho e o efeito do meio).

 

Como consequência da criação de linhas surgirá a especialização. A título de exemplo, está provado que montabilidade e capacidade de salto estão correlacionadas negativamente, o que vem reforçar a ideia de especialização. Seleccionar para ensino é diferente da selecção para obstáculos. A especialização irá favorecer a manutenção da diversidade dentro de elementos da mesma raça, evitando-se assim o perigo de se estar caminhar para uma convergência de critérios que poderá ser desastrosa para a existência da Raça.

O progresso é alcançado mais rapidamente quando os criadores ponderam individualmente estes aspectos.

 

 

 

4.       A importância da heritabilidade

 

A heritabilidade consiste na fracção da variância fenotípica total duma população que é devida a efeitos aditivos dos genes; usada para prever a resposta à selecção artificial.

O seu conhecimento é fundamental, uma vez que é revelador da facilidade/dificuldade associada ao grau de transmissão de determinadas características fenotípicas.

Tendo como objectivo a resposta à selecção é fundamental ter a noção de algumas das heritabilidades, já estudadas (quadro 1)

 

Só é possível chegar a estas conclusões através da utilização de uma base de dados. É fundamental ter acesso a estas correlações. Não se trata de germanizar a Raça, trata-se de criar bases de dados e proceder a tratamento estatístico. Exactamente como numa empresa, em que tem de se ter o controlo absoluto da gestão de todos os pormenores (onde se está a perder e onde se pode ganhar – optimização de resultados).

Através deste quadro pode ser comparada a rapidez da resposta à selecção nos diferentes parâmetros. Considerando a questão dos membros do efectivo da Raça e olhando para este quadro será fácil perceber que o progresso genético a este nível será baixíssimo. A Raça é fechada e a generalidade dos seus indivíduos apresentam membros insuficientes – é complicado “fazer omoletes sem ovos”.

São questões como esta que tem de ser cientificamente equacionadas, abandonando o empirismo apaixonado que prolifera nas tertúlias de café de muitos dos nossos criadores. Com isto não se pretende um abandono em absoluto do “feeling” subjacente à criatividade e inovação que caracteriza o nosso povo. Pretende-se apenas que este “feeling” esteja envolto em conhecimento.

 

5.       O modelo de avaliação animal

 

A tabela abaixo exposta (tabela 1.) é uma tabela quantitativa que permite à pessoa que a consulta uma visão rápida e precisa dos pontos positivos e negativos de um animal, no fundo constitui a realidade numérica que mais se aproxima de uma fotografia (materializada no esquema abaixo exposto – tabela 1.). Esta precisão é atingida através de uma avaliação onde constam parâmetros em número suficiente para que seja diluída, o mais possível, a margem de erro. A forma como está disposta permite uma percepção dos desvios ao normal e o seu grau de importância, daí a componente didáctica da tabela (essencial para criadores, compradores, etc.). Toda a informação assim colhida permite a constituição de uma base de dados, susceptível de tratamento estatístico, permitindo: estabelecer comparações credíveis entre indivíduos e linhas; a verificação de tendências e discrepâncias; estudar com rigor o binómio conformação/performance.

 

6.       Proposta de reestruturação do funcionamento do Livro Genealógico da Raça

 

Existe uma necessidade premente de adaptação da Raça a uma nova realidade. Apesar do efectivo da Raça ser diminuto (4 000 éguas distribuídas pelo mundo – destas 1800 estão em Portugal) e polivalente (grande qualidade da Raça), argumentos como estes não podem servir de factores de limitação às mudanças que se exigem na melhoria da eficiência da aplicação dos critérios de selecção aos nossos reprodutores. Selecção implica escolha. Contudo não podemos esquecer que existem duas facções de criadores, ambas com um significativo número de apoiantes, a defenderem a selecção dirigida a duas realidades opostas. Uns defendem a aplicação dos seus próprios critérios na escolha dos emparelhamentos, enquanto os outros optam por uma realidade oposta – a certificação e a aplicação de critérios de avaliação uniformes – que o mercado lhes está a exigir. A persistência da agregação destas realidades opostas, no actual enquadramento, nunca será consensual. Qualquer tentativa de condução destas duas realidades no actual formato do Livro Genealógico irá conduzir a clivagens nocivas para todos. As cartas do Sr. Xavier de Lima e Quinta do Figueiral constituem um espelho em formato de aviso para uma realidade à qual ninguém pode ficar indiferente (independentemente da sustentabilidade dos seus argumentos). Vive-se um ambiente de “bomba relógio” – pontualmente retardada com promessas de mudança.

Da mesma forma que não se pode criar cavalos para os quais não há mercado, não é possível sustentar uma realidade, contrária à vontade da generalidade dos criadores. A proposta em apreço, pretende a integração de argumentos tampão para as “armas de arremesso” de ambas as partes.

A polivalência (grande virtude da Raça) pode ser assumida segundo duas perspectivas antagónicas (dois Livros). Quer isto dizer que a variabilidade vai estar assegurada por duas vias (Livros A e B) conforme se encontra abaixo exposto. A Raça assumirá a diversidade com a constituição de reservatórios genéticos. Ao abrigo de regras, abandona-se um sentido único e passa a haver uma “estrada” de dois sentidos (útil em termos futuros – garantia de mobilidade/adaptabilidade da Raça) permissiva a futuras reintroduções (se o futuro o justificar).

 

Livro A

O acesso a este Livro:

 

  • Destina-se exclusivamente a animais performantes e seus descendentes.
  • Prevê-se como condicionante, que ambos os progenitores estejam inscritos no Livro A.

 

Qualquer animal cujo proprietário pretenda o seu acesso ao estatuto de reprodutor terá de efectuar exames radiológicos. A informação referente ao resultado dos exames radiológicos (individuais e personalizados) será incluída numa base de dados (numa primeira fase não serão divulgados os resultados – protegidos com chave dicotómica). Esta primeira fase obriga-nos a uma atitude de prudência uma vez que se vai entrar numa realidade cuja dimensão se desconhece. Só depois de conhecida a dimensão do problema poderão ser estudadas as medidas adequadas ao seu saneamento (faseado).

 

As fêmeas que pretendam a admissão ao estatuto de reprodutoras estão dispensadas de apresentação montadas. Serão avaliadas segundo a nova grelha de avaliação. Os machos que se encontrem no intervalo de idade, dos 2 anos até ao ano que perfaçam 4 anos, podem usufruir da admissão ao estatuto de reprodutor da mesma forma que as fêmeas. Contudo a partir dos 4 anos terão de ser pontuados montados para manter o estatuto de reprodutor.

 

Consideram-se performantes todos os animais pertencentes à Raça, que:

  1. Se evidenciem na disciplina de ensino (Ae*);
  2. Se evidenciem na disciplina de equitação de trabalho (Aet*);
  3. Se evidenciem na disciplina de obstáculos (Ao*);
  4. Se evidenciem no toureio (At*);
  5. Se evidenciem na disciplina de atrelagem (Aat*);
  6. Se evidenciem na disciplina de CCE (Acc*);
  7. Sejam pontuados segundo a nova grelha de avaliação morfo-funcional (Amf1*);
  8. Estejam pontuados segundo o antigo modelo de avaliação de reprodutores (Amf2*).

 

A atribuição da segunda e restantes estrelas, até perfazer as cinco, será uma resultante do somatório dos prémios obtidos nas diferentes disciplinas (mérito desportivo).

 

A importância deste mecanismo de avaliação (ponto 7) assenta na necessidade:

  • Da constituição de uma base de dados credível e objectiva;
  • Desta base de dados constituir um mecanismo de orientação dos criadores, na procura da compatibilidade adequada no emparelhamento desejado;
  •  Da existência de uma fonte de informação numérica e escalonada, com características semelhantes a uma fotografia;
  • De reforçar substancialmente a componente didáctica inerente a um mecanismo de avaliação.

 

A admissão dos descendentes (ao Livro A ) de um reprodutor macho, processa-se da seguinte forma:

  1. Serão admitidos quarenta descendentes por Garanhão (A*);
  2. Serão admitidos cinquenta descendentes por Garanhão (A**);
  3. Serão admitidos sessenta descendentes por Garanhão (A***);  
  4. Sem limite de descendentes admitidos, para Garanhão A**** e A*****;
  5. Serão admitidos 10 descendentes para machos A. Estes machos A terão de preencher os seguintes requisitos: ser filhos de animais performantes quatro e cinco estrelas; a sua idade esteja compreendida entre os 2 e o ano em que perfaçam 4 anos; efectuarem exames radiológicos; a concessão desta licença implica a visita de uma comissão de avaliação que avaliará o animal no mesmo formato que nas fêmeas (pontuação provisória, uma vez que a partir dos 4 anos terá de ser pontuado montado para manter o estatuto de reprodutor).

 

Livro B

Todos os animais que se encontravam inscritos no Livro de Nascimentos deverão transitar para este Livro.

Neste Livro o processo de inscrição de animais ocorre por inerência do facto de ambos os progenitores se encontrarem inscritos no Livro B ou na situação de um se encontrar inscrito no Livro B e o outro no Livro A.

O estatuto de reprodutor será auto-proposto pelo proprietário do animal. O proprietário fica por esta via obrigado:

·         A solicitar à APSL o acesso do animal ao estatuto de Garanhão e/ou de Égua (Brp);

·         Ao pagamento de uma taxa de acesso ao estatuto de Garanhão ou Égua (Brp);

·         À entrega de uma declaração de responsabilização (de isenção de taras a definir pela APSL – ex. integridade do aparelho reprodutor nos machos; ausência de prognatismo; etc.) emitida por um técnico.

 

7.       Necessidade de implementação de um código de ética para juízes da Raça

 

As medidas propostas pretendem ir ao encontro do restabelecimento da confiança de todos aqueles que pretenderem a sujeição do seu animal a uma avaliação oficial.

Há que ter em conta que a influência de opinião dos juízes da APSL têm um peso muito significativo na credibilidade da instituição e no funcionamento de uma economia que se pretende que seja de mercado.

 

A actividade de juiz deverá estar estruturada através:

1.       Da cessação imediata de processos de admissão de juiz por convite;

2.       Da remuneração adequada da actividade de juiz;

3.       Da necessidade de habilitações académicas na área animal (acesso ao estatuto de juiz oficial da APSL);

4.       Da implementação de cursos de juiz com avaliação/classificação final;

5.       Da continuidade da avaliação/classificação ao longo do exercício desta actividade;

6.       Da mecanização/objectivação dos seus julgamentos;

7.       De um aumento substancial do número de juízes;

8.       De um aumento do número de juízes nos julgamentos (diluição do erro e da preponderância de notas);

9.       Da necessidade de implementação de um sistema de sorteio, na escolha de juízes por prova;

10.   Da implementação de uma duração temporal da sua actividade como juiz oficial da APSL (permite a mobilidade);

11.   Do impedimento, por incompatibilidade de funções, do acesso ao estatuto de juiz a todos os que: desenvolvam a actividade de criação de cavalos PSL; sejam cavaleiros profissionais; se dediquem à comercialização de animais PSL.

 

Algumas das medidas sugestionadas incompatibilizam a actuação da maioria dos actuais juízes, surgindo a preocupação da Raça ficar sem juízes. Esta situação pode ser superada através:

·         Da criação de uma situação transitória semelhante à adoptada no termo do ano transacto para a avaliação de todas as éguas a nível nacional (recurso ao Secretário Técnico auxiliado por juízes da sua confiança);

·         Nos restantes países deverá ser nomeado um responsável Técnico, devidamente auxiliado, que assegurará as responsabilidades inerentes a este processo de transição;

·         Da noção que a nível nacional a população é de 10 milhões e que dentro destes haverá muitos cidadão com predisposição para adesão ao estatuto de juiz da Raça PSL baseado em regras de meritocrasia (o mesmo acontecendo nos outro países);

·         Da iniciação do processo de divulgação dos requisitos para o acesso aos cursos para juiz da Raça (marketing da actividade);

·         Recorrer a juízes internacionais de reconhecido mérito desportivo para dar este primeiro curso de formação, na vertente de morfologia e mecânica de andamentos;

·         Recorrer a um juiz português, de reconhecido mérito desportivo, para dar formação na vertente do tipo e de todas as características peculiares da nossa Raça.

 

8.       Conclusão

 

É um hábito bem português criticar sem apontar caminhos. Nestes apontamentos pretendi expor o meu ponto de vista de uma forma clara e sustentada.

 

Parte deste testemunho foi sustentado num trabalho, “Aspectos morfo-funcionais na Raça Lusitana”, realizado em 2004. No presente, este trabalho reúne 80 páginas de informação relativa à ligação entre a morfologia e função. Nele é prestado, um tributo ao conceito de funcionalidade praticado pelo Dr. José Monteiro e expostos os princípios da selecção pela função, praticados num dos países de referência da criação – Alemanha.

 

É curiosa e notável a constatação do Dr. José Monteiro relativamente à capacidade de resistência ao esforço dos últimos animais a serem importados de Espanha (1960). Esta encontrava-se nitidamente abaixo da exigida aos reprodutores seleccionados na Estação Zootécnica Nacional. Isto é uma clara e inquestionável prova que existe resposta à selecção.

 

Pontos importantes:

  1. A importância do incremento da rentabilidade económica no sector;
  2. A importância de tornar os caracteres de interesse económico, facilmente mensuráveis;
  3. A importância da selecção na condução de benefícios e boas perspectivas de venda aos criadores;
  4. A importância da definição dos objectivos para a Raça;
  5. O interesse da competição como factor de sucesso da Raça;
  6. A importância da constituição de uma base de dados (susceptível de tratamento estatístico);
  7. A importância da existência de uma grande variabilidade genética (alta heritabilidade);
  8. A influência negativa da selecção para muitos caracteres, no aumento dos custos de avaliação e na redução do progresso genético.

 

Julgo que a proposta de reestruturação do funcionamento do Livro Genealógico da Raça pode ser um marco na adaptação da Raça a uma evolução credível e consensual.

 

Aguardo com expectativa as mudanças anunciadas no programa eleitoral. Estas terão de ser sustentadas e sustentáveis. Não é viável a manutenção de um sistema obsoleto.   

 

No fundo temos tudo – uma Raça impar a nível mundial (matéria prima de eleição) e excelentes técnicos [Prof. Dr. Gama; Prof. Dr. Machado; Eng.º João Ralão; Eng.º Bento Castelhano; Dr. Bruno Cangueiro (na Alemanha); Dra. Elisa Bettencourt; Dr. Costa Pereira; Eng.º António Vicente; Dr. Núncio Fragoso, entre tantos]. O que nos falta?

 

 

MUDANÇA – RIGOR – TRANSPARÊNCIA

 

SEGUNDA CARTA ENVIADA À DIRECÇÃO DA APSL (30/09/2008):

Contributo para o desenvolvimento sustentável da raça

 

Numa altura em que a raça necessita de um novo rumo, adequado à realidade do presente, sinto a obrigação de partilhar um acrescento, em formato de reforço, à informação por mim enviada em carta dirigida à Direcção da APSL, com data de 28/05/2008.

 

Hoje, mais que nunca, a raça necessita da promoção e realização do colectivo como motor da raça em detrimento da clivagem de interesses que temos vindo a assistir. Esta é uma premissa pragmática, na procura da prosperidade económica e social, como solução para muitos dos problemas da falta de suporte financeiro, inerente ao cumprimento dos imperativos pressupostos num programa de melhoramento credível.

 

O espelho da falta de motivação do colectivo pôde ser objectivamente constatado na fraca representatividade da quantidade de criadores presentes no último Festival Internacional do Cavalo Lusitano em Cascais. O número de animais e de afluência de público ficou muito aquém da representatividade expectável num certame desta dimensão e natureza. Este constitui um sinal inequívoco, que a realidade actual é representativa de uma minoria. Nunca na história das sociedades democráticas as minorias vingaram sem o apoio do colectivo!

 

Terá de haver uma preocupação acrescida na interactividade entre a APSL e a comunidade, para tal, deverá fomentar-se como princípio de actuação da Direcção da APSL, o progresso genético sustentado. Sustentação por via do conhecimento, da transparência, da comunicação

(limitação às barreiras de informação) e consequentemente da alteração da política vigente na APSL.

 

O imobilismo associado à defesa de dogmas (ex. utilização continuada de um padrão da raça inadequado aos interesses associados à criação de animais com vocação desportiva), praticado por muitos, carece de suporte cognitivo sustentável, isto é, carece de uma explicação técnico-científica que vá muito além de condicionalismos dogmáticos envoltos em tradição social e técnica.

 

Existe uma necessidade premente de regulamentação de várias áreas subjacentes à actividade da APSL, a nível administrativo, técnico e organizacional. A título de exemplo, não se entende o motivo pelo qual não existe controlo anti-doping nas concentrações de reprodutores e concursos de modelo e andamentos!? Seguramente que esta forma de certificação, assumida pela APSL, pode beneficiar animais que padecem de problemas graves, geneticamente transmissíveis – ex. navicular – que requerem um estudo profundo das suas consequências em termos de hereditariedade e existência de determinismo genético. Este estudo e respectivas conclusões são contributos fundamentais no delineamento de um programa de melhoramento credível.

 

A transparência está muito associada à definição por via da regulamentação. A sociedade evolui da mesma forma que a raça e os seus condicionalismos. Este dinamismo obriga a uma adequação permanente do normativo, sob risco do aproveitamento lícito de lacunas, com consequências desastrosas na imagem e credibilidade da raça.

 

Tudo o que implique mudança gera resistência por parte dos tradicionalmente optimistas, sob a forma de reserva, desconfiança e mesmo censura, isto porque a dinâmica implícita conduz à queda de imagens formadas. No inegável pressuposto que o conhecimento é o motor das sociedades modernas, deverá solicitar-se a todos aqueles que defendem o imobilismo, a fundamentação técnica, baseada no conhecimento científico actual, que justifique o conservadorismo defendido.

 

Fazendo um enquadramento do princípio da comunicação à actuação da Direcção da APSL, atrevo-me a citar Karl Popper “(…) quem não for capaz de se exprimir de uma forma clara e simples, deve permanecer calado e continuar a trabalhar até conseguir alcançar clareza de expressão”. Ignoro se é esta a motivação para o silêncio ensurdecedor a que a APSL já nos habituou!? O silêncio, conforme exemplificado na frase atrás citada e fazendo o dito enquadramento, pode “legitimar” a conjectura. Contudo, não é expectável que uma Associação com estatuto de Interesse Público se refugie em silêncio, aos pedidos de esclarecimento que lhe são endereçados, a título de exemplo, pelo associado Sr. António Xavier de Lima e mais recentemente pelo Dr. Jaime Malta Vacas. Pergunto com legitimidade para o fazer, qual o motivo deste silêncio? Onde se enquadra a transparência e o princípio da comunicação nesta forma de actuação? Não será esta uma forma de fomento da nefasta conjectura?

Tem sido afirmado por muitos que estamos perante uma Direcção de transição, cuja actuação não assumirá um papel reformista. Discordo na íntegra com esta ilação, uma vez que dois mandatos não se coadunam com este papel! Angelo Giuseppe Roncalli, também considerado um Homem de transição, encetou reformas para além do esperado na instituição a que “presidia”.

 

As reformas são necessárias e urgentes!

 

Seguidamente enunciarei alguns dos pontos, segundo as várias vertentes, que deverão ser ponderados nas reformas:

 

I. Vertente comercial e promocional

 

Esta vertente encerra a sustentabilidade financeira da raça e o seu sucesso está condicionado à existência de ferramentas de suporte de gestão (ex. informações sobre o mercado – actualizadas, consistentes e relevantes) que atenuem o risco associado às decisões que vierem a ser implementadas.

Não se pode permitir, pela ausência de perspectivas sustentadas num conhecimento credível da apetência da procura, que esta realidade continue a ser descurada por uma minoria que considera a actividade segundo uma perspectiva lúdica de egoísmo altruísta sem objectivos de valor económico criado (suportado apenas na fortuna pessoal). Esta postura adultera o equilíbrio subjacente às leis de Mercado de uma sociedade capitalista, constituindo uma forma de empobrecimento do colectivo. Onde fica o respeito pela motivação de todos aqueles que independentemente da fortuna pessoal ambicionam o progresso da raça sustentado no mérito associado à eficiência das leis do Mercado???

O mérito confere sustentabilidade e é a única forma de a raça se afirmar no mundo! Contudo há que informar os criadores acerca dos condicionalismos de mercado, por via da informação recolhida em estudos de mercado credíveis, que permitam perspectivar o nível de investimento (técnico, humano, material e financeiro) e de retorno expectável (a curto, médio e longo prazo), de forma a se adequar todas as decisões relacionadas com a criação.

Existe uma necessidade implícita de suporte financeiro (capitais para investimento) para muitas das premissas necessárias à implementação de um plano de melhoramento credível.

 

 

Por conseguinte deverá dar-se especial atenção aos seguintes tópicos:

 

  1. Perspectivar a elaboração de um estudo de mercado que forneça dados credíveis (produto, dimensionamento, distribuição e segmentação do mercado) das necessidades, níveis da procura e formas optimizadas de satisfação dessas necessidades, que permitam a caracterização das vantagens competitivas da raça;
  2. Dar-se especial atenção à eficácia na comunicação da natureza do produto e serviços que se oferece;
  3. Promover o respeito pela procura como factor impulsionador do progresso económico da raça;
  4. Promover uma dinâmica eficaz na resposta à procura;
  5. Adoptar uma atitude dinâmica e de força na vertente comercial;
  6. Promover uma atitude de intercâmbio e cooperação interinstitucional entre as diversas instituições ligadas ao sector (ex. Ministério da Agricultura, Federação Equestre Portuguesa, Instituto das Empresas para os Mercados Externos, etc.) no fornecimento de dados e na busca de sinergias que ajudem à projecção e promoção da raça;
  7. Criar o dia do Lusitano no mundo, impregnado de simbolismo, cuja motivação seja a aglutinação de esforços e coordenação do colectivo, para a projecção da raça no mundo;
  8. Este dia servirá para: a divulgação de informação, por parte do Concelho científico, aos criadores e comunidade; a comunicação, por parte da Direcção da APSL, aos seus associados e comunidade do “balanço” da sua actividade durante um ano de exercício; motivar a adesão de novos sócios por via da transparência, eficiência e credibilidade; a avaliação e classificação de poldros “mamões” pré-selecionados, com atribuição de certificados de qualidade “jovem promessa” (desta forma aumenta-se a informação relativamente à avaliação individual dos animais; permite antecipar a verificação da capacidade dos seus progenitores enquanto produtores de animais de qualidade; estimula-se a procura e consequentemente permite-se a possibilidade de antecipação de encaixe financeiro ao criador; permite o aparecimento no mercado da figura do “recriador”; estimula-se, por antecipação, o mercado da venda de sémen ou de beneficiações, relativamente aos progenitores dos animais ganhadores).

 

 

 

II. Vertente técnico-científica

 

A meu ver a sustentabilidade técnica da raça obriga a que seja dada “luz verde” ao cumprimento dos requisitos implícitos na actualidade do conhecimento – em sede de reduto – produzido no meio das instituições de ensino superior e de investigação à escala global.

A cada elemento da sociedade cabe um papel! A cada um de “nós”, enquanto intervenientes na fileira (ferradores, criadores, equitadores, etc.) e dentro da realidade da raça, cabe o papel de fornecer informação a todos aqueles cujo objecto de trabalho é produzir conhecimento. Esta é a forma de adequação do conhecimento ao cumprimento das expectativas dos utilizadores. Como é que isto deve ser feito? O utilizador está “obrigado” a dizer o que pretende (daí a importância do estudo de mercado), a Direcção da APSL a constituir regulamentação e objectivos com base na auscultação do mercado, e as instituições de ensino superior e de investigação por via técnico-científica, deverão recomendar a adopção de procedimentos que motivem o progresso genético com base no cumprimento dos objectivos anteriormente referidos. A isto chama-se crescimento sustentado e blindagem do sistema contra a má formação.

 

De entre os inúmeros contributos existentes para o crescimento sustentado, saliento os seguintes:

  1. Constituição de um Concelho Científico (CC);
  2. O CC será constituído por uma equipa de elementos representativos de uma instituição de ensino superior e de investigação. A escolha desta e consequentemente da equipa que a representa será efectuada pela Direcção da APSL, segundo resultado do “lançamento de um concurso”, onde deverão estar integrados todos os organismos competentes ligados à ciência e investigação na área de melhoramento animal, que pretendam a adesão ao referido concurso;
  3. O princípio que norteia a escolha é o da meritocracia e transparência, implícitos em regulamentação própria, estando na base da escolha, a fundamentação e argumentação das propostas em análise;
  4. Em cada proposta deverá constar um plano de actuação técnico-científico, gerador e motivador de um progresso genético sustentável, adequado à viabilidade económica da raça;
  5. Ao CC, presidido pelo Secretário Técnico da raça (uma vez que constitui o elemento representativo da tutela – FAR – sobre a gestão do Livro Genealógico), cabe: a elaboração e fundamentação técnica do plano de melhoramento da raça; a emissão de pareceres científicos; o apoio técnico e científico da política seguida pela Direcção da APSL;
  6. Na emissão de pareceres científicos (âmbito no seu domínio), por iniciativa própria ou a pedido da APSL, deverão ser respeitados os princípios da comunicação, transparência e isenção;
  7. Os pedidos de parecer devem ser acompanhados de informação sobre a questão científica a estudar e o interesse para a raça;
  8. Os pedidos de parecer serão emitidos dentro do prazo especificado nos pedidos de parecer, salvo em circunstâncias devidamente fundamentadas;
  9. Os pareceres não são vinculativos da política prosseguida pela Direcção da APSL, contudo, constituirão matéria de arquivo de consulta pública, publicável no decurso do ano da sua emissão, por via da página da Internet da APSL, garantindo-se com este procedimento um elevado nível de transparência e independência, em prol do interesse público;
  10. Ao Secretário Técnico, para além do acompanhamento dos trabalhos a desenvolver pelo CC, cabe a verificação do cumprimento dos pressupostos enunciados na proposta vencedora, no decurso do mandato da equipa pertencente à instituição de ensino superior e de investigação vencedora do referido concurso. Para tal deverá emitir relatórios semestrais em formato de formulário com espaço para observações, dirigidos à Direcção da APSL, onde avaliará o cumprimento dos ditos pressupostos e onde incluirá toda a informação que julgar de interesse para a prossecução da política da Direcção da APSL;
  11. Quando se verificar que os pressupostos enunciados na proposta vencedora não estão a ser cumpridos, deverá ser enviada ao CC, pela Direcção da APSL, uma comunicação desses incumprimentos (devidamente fundamentada pelo Secretário Técnico);
  12. Ao fim de três comunicações (se a situação persistir) será convocada uma reunião com o CC, onde será analisada a continuidade da colaboração, podendo esta cessar, no caso da Direcção da APSL concluir que não existem condições para a sua continuidade. O acto de cessação deve constituir documento, emitido pela Direcção da APSL, devidamente fundamentado e de consulta pública na sede da APSL;
  13. Aos membros do CC deverá ser solicitado um compromisso de actuação independente;
  14. Sempre que o CC já tenha emitido um parecer científico sobre a questão específica, alvo de um pedido, pode recusá-lo caso conclua que não existem novos elementos científicos que justifiquem que a questão seja reexaminada. Qualquer recusa deve ser justificada junto do requerente;
  15. O CC pode recusar ou propor alterações sempre que um pedido de parecer não seja claro e devidamente fundamentado. Qualquer recusa deverá ser justificada e os seus motivos tornados públicos na página da Internet da APSL;
  16. Ao CC caberá a encomenda dos estudos científicos necessários ao desempenho das suas funções. Os custos associados deverão ser analisados e cabimentados pela APSL;
  17. Em derrogação da obrigatoriedade de comunicação da informação, o CC não divulgará a terceiros informações confidenciais que receba e relativamente às quais tenha sido pedido e justificado, um tratamento confidencial, excepto no caso de informações que devam ser tornadas públicas, se as circunstâncias assim o exigirem, a fim de proteger o interesse público;
  18. O mandato dos membros do CC terá a duração de quatro anos e poderá ser renovado, mediante novo concurso.

 

Complementarmente poderá ainda proceder-se ao:

  • Estabelecimento de protocolos com uma instituição de ensino superior e de investigação, de forma a serem desenvolvidos projectos conjuntos no campo da biometria, fisiologia do esforço e biomecânica (aplicáveis nas provas morfo-funcionais);
  • Estudo e implementação de provas morfo-funcionais objectivas que fundamentem a capacidade zootécnica dos reprodutores enquanto melhoradores, em idade jovem (diminui-se o intervalo entre gerações). Os resultados destas provas constituirão indicadores de performance, de grande utilidade aos criadores, na escolha dos progenitores para as suas éguas;
  • Certificação dos reprodutores pela APSL como animais com capacidade genética enquanto melhoradores da raça (atribuição dos títulos: aprovado, recomendado e de mérito) e divulgação desta informação na página da Internet da APSL.

 

III. Demografia e outra informação sujeita a tratamento estatístico

 

A raça deverá ser caracterizada quanto: à distribuição geográfica; ao número de garanhões; de éguas reprodutoras; de filhos por garanhão e por égua reprodutora; quanto ao número de criadores e proprietários envolvidos na criação e selecção. A informação resultante desta caracterização deverá constituir matéria de consulta pública na página da Internet da APSL.

Como resultado da actuação do CC será expectável que seja sugestionada o tratamento da informação já recolhida bem como o da informação a recolher por parte da APSL. Para tal e numa óptica de optimização de recursos humanos será vital que se informatize muitos dos actuais procedimentos administrativos, de forma a libertar recursos para a disponibilidade de proceder ao tratamento e introdução de dados. Para esta adaptação, normal na sociedade em que vivemos, será necessário investir na formação de recursos na área em causa (estatística e informática).

 

IV. Conclusões

 

A APSL não pode considerar a formação dos seus associados como uma responsabilidade individual ou de terceiros, mas antes uma responsabilidade sua. Como tal será expectável que pondere um desempenho activo na transmissão do conhecimento. Esta transmissão é vital para democratizar o conhecimento, isto é, permite entre outros benefícios, um início de actividade sustentado para quem pretenda iniciar a criação (“pé de igualdade” com quem já está no mercado há mais tempo) e não tem conhecimentos técnicos para tal. Até hoje quantos “jovens” criadores “se perderam” por mau aconselhamento de quem pretende escoar os seus animais de refugo a preços de animais de alta qualidade??? Muitos!!! Que saem com uma imagem da realidade da raça muito negativa. Não seria benéfico que houvesse um aproveitamento sustentado destes recursos como forma de fomentar a massa crítica e aumentar o número de associados???  

 

 O conhecimento pode e deve funcionar como “upgrade” para os criadores que já estão no mercado há mais tempo.

 

A implementação de um CC a par da elaboração de um estudo de mercado, entre outras medidas, podem constituir “ferramentas” vitais na:

  • Na propagação do conhecimento;
  • Na construção da competitividade;
  • No delineamento de estratégias;
  • Na cooperação e criatividade;
  • Na mudança dos padrões de comportamento (cultura) e organização.

 

Seria desejável que o CC fosse constituído por uma equipa que além de pluridisciplinar, integrasse elementos de diferentes instituições de ensino superior e de investigação. Contudo entendemos que elementos de diferentes instituições podem constituir, por motivações alheias ao CC (ex. divergências inter-universitárias, etc.), barreiras ao progresso que se pretende. 

 

É fundamental que se institua como objectivo primário da raça o desenvolvimento sustentado e sustentável por via do conhecimento, da transparência e da comunicação (limitação às barreiras de informação).

 

Tudo o que aqui foi sugestionado deverá constituir matéria de análise e enquadramento às instituições a que dizem respeito. Entendo que este documento, além de constituir matéria de reflexão, poderá ter repercussões muito positivas na afirmação da raça no mundo.

5 thoughts on “APSL – Propostas de reestruturação

  1. Manuel Silveira

    A Ruralbit, Lda. é uma empresa direcionada para as áreas de Desenvolvimento de Software e de Consultoria em Genética e Melhoramento Animal, nomeadamente desenvolvendo aplicações informáticas de apoio à gestão e à tomada de decisão em explorações agrícolas e associações de produtores.

    Tendo lido o seu post “propostas de reestruturação enviadas à APSL” reparamos com especial atenção às referências que faz quer à importância da criação de uma base de dados quer ás propostas para a gestão do Livro genealógico.

    A plataforma Genpro Online é uma base de dados desenvolvida pela Ruralbit para a gestão de Livros Genealógicos, que se encontra em funcionamento na gestão de 20 Livros Genealógicos em Portugal (9 raças ovinas, 1 caprinas e 10 bovinas). Tem acesso a esta plataforma os técnicos das entidades gestoras e os respectivos associados, existindo também ligações a outras entidades relevantes, como sejam matadouros e comunidade científica.

    Fruto da nossa experiência de trabalho no apoio à gestão de Livro Genealógicos cremos que podemos vir ser um parceiro importante na prossecução das propostas de reestruturação que apresenta. Estamos ao seu dispor, assim como da Direção da APSL, para uma apresentação detalhada dos nossos produtos e serviços.

    Com os melhores cumprimentos
    Manuel Silveira
    Ruralbit Lda

    Responder
  2. João de Deus

    Li com a atenção possível e mais uma vez me pareceu demasiado elaborado.
    Aprendi na vida,que os objectivos quando estamos numa fase de mudança,se elaboram sob um esquema de divisão de grandezas e prioridades.

    Que PSL queremos..??..um especialista ou um polivalente?..sabendo que ao mesmo tempo não há Sol na eira e chuva no nabal.
    Vamos “sacrificar” uma raça a uma modalidade?
    Uma raça como a nossa não se pode “vergar” a uma moda qualquer passageira.
    O meu grande orgulho nesta raça seria e que um dia viessem buscar o semen para melhoramentos de outras raças por esse mundo fora.
    Acho ser este o grande destino do PSL,o que está acima de interesses comerciais passageiros.

    Os Portugueses cem anos atrás mediam em media 1,50 e os PSL tambem…agora estamos no 1,70 e os PSL tambem terão de ficar por norma assim…e mantemos a mesma raça…com as mesmas caracteristicas,uns e outros.

    Acho que só temos de trabalhar no tamanho sem perder o control nos membros que agora é bom.

    Temos um Cavalo com uma boa cabeça,o que nos dá uma grande margem para ser trabalhado,pois é aqui que tudo reside,porque o resto é facilmente controlável tanto a conformação como a musculatura.
    Estamos a perder garupa no meu entender,e no nosso livro “fechado” pode ser refrescado com garupas melhores.

    Retirei esta frase da carta.

    “Com isto não se pretende um abandono em absoluto do “feeling” subjacente à criatividade e inovação que caracteriza o nosso povo. Pretende-se apenas que este “feeling” esteja envolto em conhecimento.”

    É aqui a transição,e como sabemos da equitação,é tambem aqui que se testa a maturidade dos agentes.

    Quanto aos Homens que dirigem estas coisas,deviam de ser responsabilizados pelo Estado Português pois estamos a falar do PSL,de um património Nacional, que não pode estar a ser conduzido ao sabor de uma simples Associação.

    saudações Marialvas

    João de Deus

    Responder
  3. Francisco Granate Fernandes

    Pena é que vozes como estas não sejam ouvidas mais alto. Concordo consigo em quase todos os pontos mencionados (sem algumas discordâncias concerteza nunca evoluiremos…). Pena tenho também de não possuir tal eloquência literária e não ter por isso a possibilidade de explanar os meus pontos de vista de forma similarmente brilhante aquela que faz aqui.

    com os melhores cumprimentos e na esperança que um dia possamos “discutir” estes assuntos pessoalmente.

    Francisco Granate Fernandes
    Médico Veterinário

    Responder
    1. pitamarissa Post author

      Caro Francisco,

      Aproveito o seu comentário, primeiro para agradecer a gentileza das suas palavras, e em segundo para lançar um repto colaboracionista a todos aqueles que queiram projectar, de uma forma fundamentada e responsável, a sua voz neste blog.

      A esse propósito já havia lançado o desafio ao actual Presidente da Associação dos Médico Veterinários de cavalos.

      Caros amigos, o futuro só pode ser construído de uma forma conjunta, com múltiplos pontos de vista, mas com um ideal comum, o progresso genético do cavalo Lusitano.

      Enviem-me os vossos textos, com os respectivos pontos de vista, e fotografias. Em caso de necessidade de auxílio na colocação ou edição de texto, eu disponibilizo-me a ajudar.

      O blog da Pitamarissa pretende ser um espaço de todos e para todos. Gostaria que aqui se sentissem em casa!!!

      Com amizade,
      Rodrigo Almeida

      Responder
  4. António Menino

    Na procura do conhecimento do mercado “nórdico” para um projecto que estamos a desenvolver, encontrei um estudo feito em 2001 pelo Estado sueco sobre a fileira do cavalo na Suécia.

    Tive a oportunidade de enviar o referido estudo para o Ministério da Agricultura.

    Uma constatação foi a criação (nós já a temos) de uma fundação que rege todo o sector, desde a criação, desporto, corridas e até o ensino superior da área. Os suecos são menos 100.000 que nós mas têm 10 vezes mais cavalos que nós.

    Pelo que assisto em Portugal, é urgente que este sector tenha uma intervenção “musculada”.

    Ainda recentemente houve um congresso internacional em Portugal sobre o turismo equestre. Alguém viu por aí qualquer medida que fosse sobre este tema? É evidente que só uma organização forte e com grandes meios pode pôr esta vertente da fileira em andamento. Ora uma área que a criação, a industria, o ensino, o desporto, o turismo e o lazer se ligam fortemente, não pode ficar-se apenas pela questão da raça.

    De facto, somos pequenos até na visão estratégica do que pretendemos ser, pelo que não estranho esta lógica de “clubes de pessoas bem”, em que a FEP está no topo…

    Responder

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