Parâmetros Biomecânicos

Parâmetros biomecânicos do passo e do trote de cavalos da raça Puro Sangue Lusitano

 

 

A.P.Toledo (1), C.A. Schelim (2), S.L.Beck (3)

(1) Engenheiro Mecânico, Coordenador do Projeto Analoc-E, EFEI-MG –Brasil – toledo@toledohorse.com.br

(2) Engenheiro Eletrônico – Especialista em software – ITA-SP – Brasil –

 schelim@delsis.com.br

(3) Hipólogo, Professor da PUC – PR –Brasil-

sbeckequinos@yahoo.com.br

 

 

RESUMO

 

A análise da locomoção dos eqüídeos é muito difícil de ser efetuada simplesmente pela observação humana. A movimentação do cavalo depende do tempo de apoio e de suspensão de cada casco, durante uma passada completa.

A relação entre o tempo de apoio e de suspensão de cada casco, durante uma passada completa, foi denominada DIAPASÃO. (Toledo A.P., 1965, 100p)

Os tempos de apoio e de suspensão dos cascos são analisados com precisão pelo sistema Analoc-E. (Haddad C., Toledo A.P., 2005, 10p)

O presente estudo tem por objetivo a detecção e análise dos principais parâmetros biomecânicos das modalidades de passo lento, médio e rápido e das modalidades de trote (lento), de trabalho (médio) e rápido dos cavalos da raça puro sangue lusitano  e outras variedades de trote reunido com progressão  e de trote reunido com progressão mínima.

O cavalo da raça Puro Sangue Lusitano é originário de Portugal e o seu stud-book é mantido pela APCCPSL – Associação Portuguesa dos Criadores de Cavalos da Raça Puro Sangue Lusitano, com sede em Cascais, Portugal.

Os dados fornecidos pelas análises em campo com o equipamento Analoc-E foram obtidos na Coudelaria Ortigão Costa – Azambuja – Portugal em outubro 2007 e foram agrupados nas planilhas das Figs. 1 e 2. As conclusões emitidas trazem novos conhecimentos, para o estudo da locomoção dos cavalos da raça Puro -Sangue Lusitano.

 

PALAVRAS CHAVES: análise da locomoção, locomoção do cavalo, passo, trote, parâmetros biomecânicos, locomoção do cavalo da raça Puro- Sangue Lusitano.

 

SUMMARY

 

It is difficulty to examine gait analytically by eye. The evaluation of the leg inadequacies, lameness and the locomotion depends on the hooves stance and phase timing, which can be detected by using a non invasive technology.

Actually, the study uses the Analoc-E system, a high-speed video and the digital method of image acquisition for computed processing of a considerable amount of bio-mechanic parameters of the horses locomotion. The system is capable of performing reliable measurements of all type of horse locomotion (ridden or not) at a low cost.

The result is a Gait Spectrum or Gait Diagram which can be used do acquaint subtle gait changes, refined analysis of locomotion, horse training & conditioning, as well as the gait improvement or other researches related with the horse’s movement.

The main purpose of this study is to treat in depth all bio-mechanic parameters involved with the locomotion (movement) of the pure blood horses, bread in Portugal and abroad, and controlled by the APCCPSL – Cascais – PT.

 

KEYWORDS: Horse locomotion analysis, walk, trot, bio-mechanic parameters, Pure Blood Lusitano horses.

 

 

INTRODUÇÃO

 

O andamento padrão de média velocidade dos cavalos da raça Puro- Sangue Lusitano tem sido chamado de trote em suas várias modalidades ou variações de trote reunido (lento), de trabalho (médio) e rápido, incluindo os movimentos da equitação de alta-escola conhecidos como Piaffer e Passage.

 

O Passo é comum a todas as raças de eqüídeos e é definido como sendo um movimento regular, simétrico, com quatro tempos e quatro batidas, com quatro apoios triplos, intercalados, sucessivamente, por apoios diagonais e laterais. (Beck S.L., 1995).

 

Os parâmetros biomecânicos do passo mostraram-se coerentes, quando comparados com os obtidos para o passo de outras raças de eqüídeos. (Toledo A.P., 2006).

Os parâmetros obtidos e analisados para as várias modalidades de trote de dois exemplares da raça, conduzidos por dois cavaleiros diferentes, apresentaram, durante a locomoção em trote, uma ausência de suspensão completa entre os apoios dos bípedes diagonais, caracterizando um trote marchado.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

 

Foram utilizados os parâmetros biomecânicos da locomoção de (02) dois animais adestrados da raça Puro- Sangue Lusitano em diversas variedades de passo e trote.

 

Os cavalos foram analisados pelo equipamento Analoc-E e conduzidos pelos cavaleiros Gonçalo Cardoso e Prof. S.L.Beck.

 

O Analoc-E utiliza o método não invasivo de análise da locomoção por meio de filmagem em velocidade  acima do vídeo comum, processamento quase em tempo real, que fornece um diagrama – Gait Spectrum, com todos os parâmetros e detalhes da locomoção. (Haddad C., Toledo A.P., 2005)

 

Os parâmetros biomecânicos estão nas planilhas das Figs. 1 e 2.

As fotos do Apêndice 1 mostram a pista, os cavalos e os criadores que acompanharam as análises no pátio da Coudelaria Ortigão Costa – Azambuja – Portugal.

Os diagramas de locomoção – Gait Spectrum – do Apêndice 2 foram produzidos pelo sistema Analoc-E e constituem a base do presente  estudo e a  constatação dos parâmetros analisados.

 

 

 Fig. 1 (consultar link do autor www.toledohorse.com.br em Notícias – o Trote Marchado do PSLusitano)- Planilha de parâmetros biomecânicos do trote de cavalos da raça Puro-Sangue Lusitano

 Fig. 2 (consultar link do autorwww.toledohorse.com.br em Notícias – o Trote Marchado do PSLusitano)- Planilha de parâmetros biomecânicos do passo de cavalos da raça Puro- Sangue Lusitano

 

       CONCLUSÕES

 

1 – As variedades de PASSO possuem as características básicas de oito apoios, com quatro apoios triplos, dois diagonais e dois laterais, conforme verificado em outras raças de eqüídeos. Os valores percentuais (%) são referentes ao tempo de uma passada completa do animal.

2 – A relação entre o tempo de apoio lateral e o tempo de apoio diagonal, denominado Coeficiente de Lateralidade (CL) ao passo variou entre (0) e ( 0,718).

3 – As velocidades ao passo variaram entre 4,27 (lento) e 9,77 k/h (rápido) com o rendimento da passada entre 1,26 e 1,85 m.

4 – O andamento em média velocidade esperado como trote comum com suspensão (trote saltado) apresentou parâmetros típicos de trote sem suspensão ou trote marchado transicional para trote saltado, com velocidades entre 10,85 (TL) e 15,32 (TR), com rendimentos entre 1,98 e 2,43m.

5 – O Coeficiente de Lateralidade (CL) que classifica os diversos andamentos do cavalo variou ao TROTE entre (0) e (0,097), caracterizando o trote marchado transicional para trote saltado, onde o cavalo não apresenta suspensão total na troca de cada bípede diagonal.

6 – A dissociação média dos bípedes diagonais esteve em 6,12% para velocidades lentas (10 a 11,9 k/h) e 5,38% para velocidades rápidas (14 a 15,9 k/h), caracterizando o apoio do casco anterior antes do casco posterior do bípede diagonal.

7 – A assimetria da locomoção dos bípedes diagonais variou entre 0,55 e 4,63% e a média geral entre 14(quatorze) análises ficou em 3,73%, considerada boa (inferior a 5%).

8 – O apoio médio dos cascos anteriores para as modalidades de trote variou entre 50,95 e 54,05% do tempo da passada.

9 – 0 apoio médio dos cascos posteriores para as modalidades de trote variou entre 52,62 e 54,30%.

10 – O apoio médio dos cascos anteriores para o trote lento ficou em 54,05% e o apoio médio dos cascos posteriores para este movimento ficou em 54,30%.

11 – O apoio médio dos cascos anteriores para o trote RE (Reunido) com progressão ficou em 51,83% e o apoio médio dos cascos posteriores para este movimento ficou em 49,08%.

12 – A dissociação média das várias modalidades de trote analisadas variou entre 5,3 e 6,12 %.

13 – A dissociação média para o trote RE (Reunido) com progressão ficou em 8,22% e a assimetria em 4,23%.

14 – A dissociação média para o trote PM (Progressão Mínima) ficou em 12,68% e a assimetria em 3,73%.

15 – Não foi observado nenhum momento de suspensão total na troca dos bípedes diagonais, substituídos por apoios mono, quádruplo e até duplo de anteriores.

16 – Pelos resultados verificados na amostra, com os animais usados neste estudo, ficou caracterizado o trote marchado transicional para trote saltado, sem prejuízo da impulsão necessária e característica dos cavalos da raça Puro Sangue Lusitano. Este movimento está relacionado, ainda, com um menor atrito vertical e uma maior comodidade, quando comparado com o trote comum.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BECK S.L. – Raças, Manejo e Equitação, Editora dos Criadores LTDA, S.Paulo, 1985, 479p.

HADDAD C, TOLEDO A.P. – Utilização do equipamento ANALOC-E para análise de movimentação em cavalos, ESALQ-USP, 2005,10p.

TOLEDO A.P. – Tecnologia Não-Invasiva para a Análise da Locomoção dos Eqüídeos, S.Paulo, Editora Nova Aldeia, 1995, 100p.

TOLEDO A.P. – A Locomoção dos Eqüídeos, Toledo Horse Editores, 2005, 142p.

 

 

 

APÊNDICES (ANEXOS – consultar link).

 

1- FOTOS DOS CAVALOS, DOS PARTICIPANTES E DO LOCAL DAS ANÁLISES.

 

 

2- COLETÂNEA DE DIAGRAMAS DE LOCOMOÇÃO USADOS NAS PLANILHAS.

One thought on “Parâmetros Biomecânicos

  1. João de Deus

    É um estudo interessantíssimo e pessoalmente gostava de o fazer.
    Quando fiz raids analisei alguns destes parâmetros apenas pela observação directa,e aplicando as conclusões a que cheguei,estes estudo descritos não dizem que tipo de piso foi usado nem a altura dos boletos ao chão,o que influencia bastante.

    saudações Marialvas

    João de Deus

    Responder

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